O Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) lançou o Desafio Bioinovação Amazônia, uma chamada internacional que busca transformar o conhecimento científico sobre a biodiversidade da floresta em produtos e negócios de impacto global, gerando oportunidades para comunidades tradicionais e para as pessoas envolvidas nas cadeias de valor da região. A Tropical Water Research Alliance (TWRA), por meio de sua rede de pesquisadores e projetos voltados à conservação de bacias hidrográficas tropicais e à sustentabilidade, está divulgando a iniciativa entre seus associados, reforçando a conexão entre ciência, água, biodiversidade e desenvolvimento econômico sustentável.
O programa foi desenhado para apoiar soluções inovadoras nos setores de alimentação, cosméticos e novos materiais verdes, a partir de matérias-primas amazônicas como castanha-do-brasil, açaí, andiroba, copaíba, murumuru, buriti, babaçu e borracha nativa. A proposta é conectar ciência de ponta, conhecimento local e tradicional e empreendedorismo, criando um ambiente em que pesquisas acadêmicas possam dar o salto da universidade para o mercado, mantendo a floresta em pé e gerando renda na região amazônica.
Financiado pelo Bezos Earth Fund e contando com parcerias como a Penn State University (EUA), Rede Terra do Meio, Coopeacre, IPT e Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), o Desafio Bioinovação Amazônia se posiciona como uma das maiores iniciativas do gênero voltadas à inovação em bioeconomia na Amazônia.
A chamada é voltada a dois perfis complementares: inovadores com experiência comprovada em biodiversidade amazônica, residência ou atuação profissional na região e interesse em empreendedorismo ou licenciamento de tecnologia (exclusivamente cidadãos brasileiros); e especialistas em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), com experiência internacional nos setores de alimentos, cosméticos ou materiais de base biológica, disponíveis para mentoria presencial e remota ao longo do programa.
Os participantes selecionados serão organizados em equipes multidisciplinares para enfrentar seis desafios de bioinovação relacionados às cadeias produtivas amazônicas, desde o aproveitamento de resíduos do açaí até o desenvolvimento de biomateriais a partir de borracha nativa.
O programa é estruturado em quatro fases, combinando etapas online e presenciais: seleção de talentos; formação de equipes e design da solução; imersão e validação em campo; e cerimônia de premiação final. No coração da iniciativa está uma residência científica de 15 dias na Amazônia, com cerca de dez dias em Manaus e cinco dias em comunidades rurais, em que as equipes poderão conhecer de perto a realidade das cadeias de valor, dialogar com atores locais e testar suas soluções em contexto real, com todos os custos de viagem e hospedagem subsidiados.
Os benefícios previstos para os selecionados são robustos. Os inovadores brasileiros poderão receber bolsas mensais entre R$ 3.500 e R$ 7.500, durante seis meses, de acordo com o nível de formação, enquanto os especialistas em P&D contarão com grants mensais entre US$ 650 e US$ 1.300, também por seis meses.
Cada equipe terá ainda acesso a um fundo de validação de R$ 100 mil para insumos, reagentes e testes especializados, suporte laboratorial do IPT e do CBA, e mentoria em desenvolvimento de produtos, propriedade intelectual, estratégias de mercado e bioeconomia amazônica.
Ao final, três equipes serão premiadas com valores de R$ 200 mil, R$ 150 mil e R$ 100 mil, respectivamente, e passarão a integrar a Zôma, geradora de negócios do Idesam, com apoio jurídico para adequação à Lei da Biodiversidade e acesso a redes de mercado e investimento para a continuidade dos projetos.
A TWRA, aliança científica Brasil–Austrália focada na conservação de bacias hidrográficas tropicais e na promoção de soluções sustentáveis baseadas em ciência e cooperação internacional, vê no Desafio Bioinovação Amazônia uma oportunidade convergente com sua agenda estratégica.
Instituto oferece bolsas para estimular bioeconomia amazônica
Projetos como o programa Araguaia Vivo 2030, dedicado à conservação e sustentabilidade da bacia do rio Araguaia, e iniciativas inseridas no guarda-chuva Future Earth, como o VENuSS, que tratam de mudanças ambientais globais, recursos hídricos e resiliência socioecológica, exemplificam o compromisso da rede em integrar pesquisa, governança da água, biodiversidade e desenvolvimento sustentável.
Ao apoiar a divulgação do desafio entre seus associados, a TWRA reforça seu papel como ponte entre a produção de conhecimento e iniciativas que buscam transformar a realidade de territórios estratégicos para o clima e para a conservação, como a Amazônia.
Pesquisadores, estudantes e profissionais vinculados à TWRA com atuação em Amazônia e bacias amazônicas, recursos hídricos em regiões tropicais, biodiversidade, serviços ecossistêmicos, comunidades tradicionais, bioeconomia, cosméticos, alimentos ou biomateriais de base florestal encontram, no Desafio Bioinovação Amazônia, um caminho concreto para levar suas ideias e pesquisas ao campo e ao mercado. Além de criar soluções tecnológicas, o programa valoriza a construção conjunta com populações locais e organizações da região, o que amplia a relevância social e ambiental das iniciativas selecionadas.
As inscrições para o Desafio Bioinovação Amazônia estão abertas até 30 de junho de 2026, e todas as informações detalhadas sobre elegibilidade, cronograma, etapas do programa e processo de candidatura podem ser consultadas na página oficial da chamada: chamadas.idesam.org/chamada/bioinovacao/


