Um “tapete verde” de plantas aquáticas voltou a chamar atenção de quem circula pelo Deck Sul e arredores do Lago Paranoá, em Brasília. Embora o fenômeno seja visualmente marcante — e, à distância, até pareça apenas uma mudança na paisagem — especialistas apontam que a proliferação pode estar associada a desequilíbrios ambientais, sobretudo quando relacionada ao aumento de nutrientes na água.
Em entrevista veiculada em 08/06/2026 na CBN Brasília, na reportagem assinada pela repórter Marina Dantas, o professor José Francisco Gonçalves Júnior (Departamento de Ecologia/UnB), presidente da Tropical Water Research Alliance (TWRA), explicou que esse tipo de ocorrência pode estar associado a um processo de eutrofização — quando há excesso de nutrientes como fósforo e nitrogênio, favorecendo o crescimento acelerado de organismos e plantas aquáticas.
Segundo o professor, mais do que um incômodo visual, a expansão dessas plantas deve ser compreendida como um sinal de alerta para a gestão do lago. Em cenários de água degradada, a recomendação técnica tende a ser de cautela com atividades de contato direto e de reforço na avaliação da qualidade da água, especialmente nas áreas onde o acúmulo é mais intenso.
Do ponto de vista da governança ambiental, o episódio também reforça a importância de olhar para o lago como parte de um sistema maior: a bacia hidrográfica. Mesmo quando o acúmulo se torna mais evidente em um trecho específico, os fatores que alimentam o problema podem estar distribuídos em diferentes pontos do entorno, exigindo monitoramento contínuo e ações preventivas na origem.
Além disso, o impacto chega à rotina de quem usa o Paranoá para esporte e lazer. Em coberturas recentes sobre o tema, atletas relatam que a massa de plantas pode virar um obstáculo físico, interferindo no deslocamento de embarcações e nos treinos.
O que dizem os órgãos responsáveis
Em nota divulgada em reportagens do G1, a Caesb informou que a presença dessas plantas pode variar ao longo do ano e que fatores como luminosidade, temperatura e condições do ambiente influenciam o crescimento. A companhia afirmou ainda que, desde o início de 2026, foram removidos aproximadamente 2,5 mil m³ de plantas aquáticas com apoio do barco Papaguapé, reforçando que o lago segue monitorado e apto a seus usos.
Para a TWRA, o episódio reafirma um ponto central da gestão das águas urbanas: ações de remoção podem ser necessárias, mas o enfrentamento duradouro depende de agir na escala da bacia, com identificação e redução de fontes de nutrientes e outras cargas poluentes — apoiado por monitoramento contínuo, transparência de dados e decisões baseadas em evidências. Para saber mais a aliança já publicou uma análise sobre o tema, conectando o alerta do Paranoá a lições de gestão e ciência a partir da Lagoa da Pampulha: Uma ameaça para o lago: o que o Paranoá pode aprender com a Lagoa da Pampulha
Vídeo para contextualizar o problema (Grupo Globo / G1)
Assista ao vídeo no G1 sobre as plantas aquáticas no Lago Paranoá —
g1.globo.com (vídeo)
Referência do veículo (CBN Brasília)
Crédito da reportagem (rádio): Marina Dantas (CBN Brasília). Veiculação: 08/06/2026.


