Conservar ou Preservar? Entre o valor da natureza e o Oscar Verde

Em um mundo onde as mudanças climáticas ditam a urgência do agora, a ciência brasileira tem provado que as soluções mais inovadoras nascem da colaboração. No mais recente episódio do podcast 19 Gotas, mergulhamos nos bastidores de um ano histórico para a Tropical Water Research Alliance (TWRA): 2025.

Foi o ano em que o Brasil subiu ao palco do Palácio de Westminster, em Londres, para receber o Green Apple Award, e marcou presença decisiva nas mesas de negociação da COP30. Hoje, meses após esses marcos, as lições deixadas por esses eventos provam ser mais do que conquistas passadas; são o mapa definitivo para o futuro das nossas águas tropicais.

O “Oscar Verde” e o Peso do Araguaia O reconhecimento internacional, chancelado com o International Bronze 2025 do Green Apple Environment Award, colocou a gestão hídrica brasileira sob os holofotes globais

A premiação foi concedida ao projeto piloto da bacia Tocantins-Araguaia (MDR/Itaú), que se destacou entre mais de 700 iniciativas do mundo todo e lançou as bases para o atual programa Araguaia Vivo 2030. A iniciativa provou que é possível unir financiamento público, privado e a comunidade científica para entender e proteger uma das bacias mais vitais e menos estudadas do país.

O Legado da COP30 e a Iniciativa VENuSS Durante a COP30, a TWRA levou para o centro das decisões climáticas o conceito de que a natureza tem um valor incalculável, mas que precisa ser mensurado para ser protegido. Representando a Aliança, a Dra. Yara Moretto atuou como painelista em um evento focado na resiliência hídrica no Sul Global. Através da Iniciativa VENuSS, apoiada pelo Future Earth, o foco se voltou para soluções baseadas na natureza, mostrando que serviços ecossistêmicos, como a infiltração de água no solo e a regulação microclimática, são a base da nossa bioeconomia.

O Efeito Borboleta da Conservação Para entender a magnitude desse trabalho, é preciso olhar para a nossa interdependência global. A exportação de commodities brasileiras carrega, de forma invisível, o nosso potencial hídrico. Betina Kozlovski-Suzuki, Gerente de Relações Internacionais da TWRA, resume essa conexão de forma cirúrgica:

“O impacto não é apenas local (…) em muitos casos há uma grande interdependência. O que a gente faz aqui nesse ambiente pode ter efeito cumulativo e afetar até grandes distâncias geográficas.”

Na outra ponta dessa mesma linha, está o impacto humano e direto. A Dra. Yara Moretto, vice-presidente da TWRA, relembra o valor da ciência aplicada à realidade das comunidades ribeirinhas e produtivas:

 


“Quando os próprios moradores vêm falar conosco e trazer o que eles estão percebendo que está mudando ali (…) e entendem que nós, pesquisadores, estamos ali para trazer informação que pode melhorar a qualidade de vida deles num âmbito local, isso já é gratificante por si só.”

O episódio 13 do 19 Gotas vai muito além do reconhecimento internacional; é um convite à ação. Ele nos ensina que conservar não é afastar o homem da natureza, mas ensiná-lo a conviver com ela de forma inteligente e sustentável.

Veja o Episódio Completo e venha ser uma gota de mudança nesse grande rio de transformação.

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