A compreensão sobre a biodiversidade hídrica nos trópicos acaba de ganhar um importante aliado. Um grupo de pesquisadores, incluindo membros associados à Tropical Water Research Alliance (TWRA), publicou recentemente um estudo detalhado que mapeia as tendências e os desafios da pesquisa com insetos aquáticos na região Neotropical. O trabalho utiliza como base os dados do VII Simpósio de Insetos Aquáticos Neotropicais (SIAN), realizado em Belém.
O artigo, intitulado “Knowledge Trends and Emerging Challenges in Neotropical Aquatic Insect Research”*, destaca o papel fundamental desses organismos como bioindicadores de qualidade ambiental e sua função essencial nos processos ecológicos dos ecossistemas de água doce.
Panorama da Pesquisa no Brasil
A análise revela que o Brasil é o grande protagonista da área na região, sendo responsável por cerca de 92% dos estudos apresentados no simpósio. Entre os principais achados, destacam-se:
- Ambientes mais estudados: Os riachos são o foco de 69,4% das pesquisas, servindo como modelos ideais para avaliar a saúde dos ecossistemas.
- Grupos de destaque: As ordens Odonata (libélulas), Trichoptera e Ephemeroptera são as mais documentadas pelos pesquisadores.
- Áreas de atuação: Ecologia (31,7%) e biomonitoramento (26,4%) lideram a produção científica.
Desafios e o Papel da Colaboração
Apesar dos avanços, o estudo aponta lacunas críticas. As dificuldades taxonômicas e sistemáticas aparecem como o maior gargalo, citadas por mais de 50% dos pesquisadores. A falta de especialistas em grupos diversos e as barreiras logísticas para acessar áreas remotas, como partes da Amazônia, ainda limitam o conhecimento pleno da nossa biodiversidade.
Para a TWRA, que tem como missão preservar o acesso à água de qualidade e promover a governança hídrica, os resultados reforçam a necessidade de parcerias institucionais e transdisciplinares. O artigo enfatiza que a integração entre academia, governo e sociedade civil, pilar central da Aliança, é essencial para transformar dados científicos em ferramentas práticas de gestão e conservação.
Inovação e Ciência Cidadã
O estudo também aponta caminhos promissores para o futuro, como o uso de DNA ambiental e o fortalecimento de iniciativas de Ciência Cidadã. Essas tecnologias e abordagens participativas podem ajudar a conectar a sociedade com os espaços das águas aumentando a conscientização sobre a urgência de proteger nossos recursos naturais.
Como ressaltado no artigo, eventos como o SIAN funcionam não apenas como vitrines científicas, mas como observatórios de tendências que revelam redes de colaboração vitais para a ciência aplicada à conservação.
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*Este artigo científico contou com a colaboração de especialistas e associados da TWRA, reforçando o compromisso da Aliança com a excelência técnica e a sustentabilidade dos ecossistemas tropicais.


