Durante o XX Congresso Brasileiro de Limnologia (CBL), muito se falou sobre o alerta da ONU de que o mundo vive uma “falência hídrica”. Mas, para resolver essa crise global, o Brasil precisa primeiro olhar para o próprio quintal e resolver um problema antigo: o saneamento básico.
Em entrevista ao estúdio da TWRA, a bióloga Karling Fernanda Schuster, da CASAN, tocou exatamente nesse ponto. Ela indicou o episódio #212 do podcast SciCast para mostrar que cuidar da água vai muito além de fechar a torneira.
Apesar de o Brasil ter as maiores reservas de água doce do mundo, a infraestrutura para cuidar dessa água ainda está muito atrasada. Os dados levantados pelo SciCast mostram uma realidade preocupante:
- Falta de água na torneira: Cerca de 35 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água tratada em casa.
- Desperdício no caminho: Em média, 37% de toda a água que é tratada se perde em vazamentos e canos quebrados antes mesmo de chegar às residências.
- Esgoto na natureza: Mais de 100 milhões de pessoas vivem sem coleta de esgoto. A cada dez descargas dadas no país, apenas quatro recebem tratamento. O restante vai direto para rios e mares, poluindo a água que nós mesmos vamos precisar usar.
Como isso afeta a sua saúde e o seu bolso?
O esgoto a céu aberto não é apenas um problema para o meio ambiente; ele é um perigo direto para a saúde pública. Água parada é o berçário perfeito para mosquitos que transmitem dengue, Zika e febre amarela, além de atrair ratos que causam doenças graves.
As crianças são as que mais sofrem. Infecções e diarreias causadas por água contaminada prejudicam a absorção de nutrientes. Uma criança doente não cresce direito, perde aulas e tem muita dificuldade para aprender e se desenvolver na escola.
Do ponto de vista financeiro, investir em saneamento é um excelente negócio para o país. A matemática é simples: para cada R$ 1,00 investido em canos e tratamento de esgoto, o Brasil economiza até R$ 20,00 em hospitais e remédios na rede pública de saúde.
Construir a rede de esgoto é fundamental, mas a população também precisa saber usá-la. A bióloga Karling Schuster lidera projetos de conscientização, como o “Trato pelo São José” em Chapecó (SC), que ensina os moradores a ligarem suas casas corretamente à rede de esgoto. O projeto deu tão certo que foi apresentado até na COP-30, a conferência mundial do clima.
A mensagem que fica do XX CBL é que não adianta só esperar pela chuva. A conservação das nossas águas começa com saneamento básico, cobrança por políticas públicas e mudança de hábitos dentro de casa.
🎧 Quer saber mais? Ouça o episódio completo do SciCast #212 sobre Saneamento Básico e acompanhe as entrevistas do XX CBL no nosso podcast 19 Gotas no YouTube!



